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Leitura de Paisagens
Leitura de Paisagens

Notas explicativas de uma viagem a Angola:

(Leitura das paisagens)

  1. Lubango e Serra da Chela

Lubango é a antiga cidade de Sá da Bandeira e situa-se no sopé de uma escarpa de falha da Serra da Chela, numa “depressão”, o que corresponde a um “bloco abatido” ou graben.

O Cristo-Rei do Lubango situa-se no “bloco levantado” que faz parte do planalto central (Planalto da Humpata) e por isso, constitui um horst.

Lubango (Antiga Sá da Bandeira)

Benguela

  1. Fenda da Tundavala

Situa-se a 18 Km do Lubango na Serra da Leba que também é parte integrante da cordilheira central angolana (Chela, Leba, Quissonde…). A fenda com 1200m de altitude é um desfiladeiro ou canhão (Canyon) de um curso de água muito encaixado em forma de V, um verdadeiro abismo. Esta fenda resulta de uma falha tectónica e do aproveitamento erosivo do rio nessa estrutura geológica. É constituída por rochas quartzíticas e vulcanoclásticas pré-câmbricas com intercalações de arenitos. Apresenta cornijas de relevo monoclinal e é aqui que termina o planalto central angolano ou planalto do Bié. A Fenda da Tundavala é um geossítio de referência importante para o geoturismo.

Fenda da Tundavala

 

  1. Serra da Leba

É a parte final ou a extremidade sudoeste da cordilheira central angolana (Ponto intermédio entre o planalto central e o deserto) e apresenta uma escarpa enorme, serpenteada por uma estrada feita pelos portugueses que desce dos 2000 m para os 1000 m de altitude (Um ícone de Angola) e depois para uma paisagem ondulada de menor altitude. Separa a região de Huíla da região do Namibe (Antiga Moçâmedes), as terras altas do mar. A partir daqui surge a estepe (Uma paisagem árida com tufos herbáceos) e com relevos residuais ou inselbergs e posteriormente o deserto. Há um rio subterrâneo que atravessa o maciço rochoso da Leba.

 Serra da Leba

  1. Pedras Negras de Pungo Andongo

São domos e colunas graníticas que povoam a paisagem e que devido aos agentes erosivos (chuva, vento…) meteorizaram a rocha dominante, dando uma coloração escura. Nalguns casos surgem mantos argilosos resultantes da erosão e existem cursos de água que serpenteiam estes domos. Situam-se no Planalto de Cacuso.

Pungo Andongo

 

  1. Lobito e o seu corredor (Lobito-Luau)

Para além da parte continental, apresenta uma restinga ou cabedelo que foi povoada por vivendas, hotéis com praia, restaurantes e serviços. A cidade alta do Lobito liga-se à Catumbela, onde surge o novo aeroporto. A Catumbela apresenta vários morros pejados de “cubatas”. Entre o Lobito e a Catumbela surgem as salinas, onde aparecem bastantes flamingos. O corredor ferroviário do Lobito que permite ligar o Atlântico à província do Moxico permite dinamizar o interior angolano, ligando as cidades de Huambo (Antiga Nova Lisboa), Cuito-Bié e Luena (Antiga Luso) e daqui às fronteiras com República Democrática do Congo e Zâmbia. O comboio entre o Lobito e Benguela é muito frequentado pelos trabalhadores rurais que vêm das fazendas/sanzalas do Cavaco, Santa Cruz e Catumbela. Nas explorações surgem plantações de cana de açúcar, banana, ananás, milho, café, produtos hortícolas, batata doce, sisal, etc.

Viagem Lobito-Benguela (Comboio)

  1. Deserto do Namibe

Quem vem da Serra da Leba em direção ao Namibe, encontra primeiro a estepe, até aparecer uma paisagem mais pedregosa com calhaus (Reg). Podem surgir alguns oásis (Como o Vale do Bero, onde se produz vinho). Descendo-se em latitude, surgem as áreas dunares (Erg).

 A extrema secura da região liga-se à corrente marítima fria de Benguela que circula sobretudo de sul para norte e que é acompanhada à superfície pelo vento marítimo alísio que roda para a esquerda devido à força de Coriolis. Há alguns ventos que irão soprar de oeste ou de noroeste mais a norte, acompanhando uma contracorrente, ventos húmidos que atingem as províncias do Zaire (Com extensa floresta tropical húmida e o rio Zaire com mais de 4000 Km de extensão); por vezes, o Bengo, Luanda e o planalto da cordilheira central, permitindo nessas montanhas chuvas significativas (Por isso, existem águas de nascente engarrafadas na Serra da Chela). Estes ventos húmidos formam nuvens no planalto da cordilheira central e quando caem para sudeste são extremamente secos e nessa situação funciona, o Mecanismo de Foehn. Todavia, a ausência de ventos de oeste às latitudes da cidade do Namibe e de toda a região envolvente permitem a elevada aridez, ausência de chuva, aridez que é suportada por uma planta endémica da Namíbia/Angola, a Welwítschia Mirablis (Na verdade, a “Tômbua Angolensis”).  Há precisamente uma cidade do Namibe que se chama Tômbua. Os desertos da Namíbia e do Kahalari estão sobre o Trópico de Capricórnio, onde dominam as altas pressões subtropicais, e por isso, não ocorrem chuvas.

Namibe

 

  1. Cataratas de Kalandula

Estas quedas de água são de tipo erosivo e permitiram o abatimento de um bloco no leito do rio Lucala (Afluente do maior rio nacional de Angola, o Kuanza). Situam-se a cerca de 80 Km da capital provincial - Malanje. Na parte superior, existem “pias geológicas”, formadas pelo trabalho erosivo da água do rio. Na época das chuvas (outubro-abril), o rio Lucala transborda e preenche todas estas pias, trazendo sedimentos que também ajudam no trabalho erosivo. As quedas de água situam-se perto da vila de Kalandula e no tempo colonial eram conhecidas como as Quedas de água do Duque de Bragança. Podem observar-se lagartos de cores variáveis (Cabeça amarelada, listas vermelhas, cor de rato, etc.)

 

  1. Miradouro da Lua

Constitui um conjunto de falésias ou arribas sedimentares que foram sulcadas pela água da chuva formando voçorocas (ravinamentos em meio tropical). As cores ocre, laranja e avermelhada que apresentam devem-se à composição química, ora mais ferruginosa, ora mais argilosa. Por serem altas e abruptas, formam por vezes colunas. Destas falésias é possível observar as praias ao longe e uma paisagem de mangais. Por terem perdido o contacto com o mar, podem ser apelidadas de arribas fósseis. Estão 40 Km a sul de Luanda, no município de Belas! Quem vai para a Barra do Kuanza, passando por Talatona e Ramiros acede a este miradouro especial. Uma paisagem lunar que permite ver ao longe as praias de uma restinga (Onde desovam tartarugas) e um braço de mar.

Miradouro da Lua

  1. Baía de Luanda

É uma grande enseada com uma área portuária extensa e uma restinga, chamada inapropriadamente “Ilha de Luanda ou ilha do Cabo”. Numa das extremidades da baía está o porto de mar e na outra extremidade está a Fortaleza de S. Miguel. Luanda também tem uma área com mangais a sul e realmente tem uma ilha ao largo, a ilha de Mussulo (Uma das maravilhas naturais de Angola). Outras ilhas mais pequenas estão próximas. A cidade de Luanda é protegida por vários elementos naturais, nomeadamente, a sua baía, a restinga, a ilha de Mussulo, a Lagoa dos Elefantes, onde surge uma fonte de água potável, o Poço da Maianga e o Morro de S. Paulo, onde se situa o Forte de S. Miguel. A capital angolana chamou-se precisamente S. Paulo de Assunção de Luanda, após a reconquista aos holandeses.

 

  1. Cumbira I e II

São enormes rochas ígneas arredondadas ou boleadas, muito superior em dimensão às penhas. Na realidade são formações geológicas conhecidas como “Pães de Açúcar”. Perto destas paisagens situa-se o rio Uiri e a localidade da Gabela que permite a ligação ao litoral, a Porto Amboim.

 

  1. Paisagens de savana (Nas províncias do Cuanza Norte e Cuanza Sul)

Áreas extensas de capim, podendo surgir alguns embondeiros (Baobás), onde surgem aldeias ou comunidades com cubatas, fornos comunitários e áreas mercantis (feirinhas). Fazem-se queimadas controladas do capim para gerir a fertilidade das terras e cultivá-las com milho, mandioca, feijão, ginguba (amendoim) e sorgo. Na província do Cuanza Norte surge a palanca negra, um símbolo de Angola. No entanto, a palanca negra surge com mais frequência nas províncias do Norte, concretamente, Zaire, Uíge e Lundas.

 

Savana e embondeiro

  1. Rio Kuanza (Foz, margens arborizadas com o tipo de floresta-galeria)

Paraíso da avifauna, onde surgem garças reais, aves de rapina como os abutres, papagaios, o martim-pescador, o maçarico, etc. O rio é povoado por jacarés e observam-se nalguns pontos jacintos de água. Surgem comunidades piscatórias nas suas margens cheias de palmares e quiçamas (Uma espécie de cacto arbóreo que dá o nome à Reserva Natural de Quiçama ou Quissama) e também existem resorts para desfrutar de um turismo de natureza. A Reserva Natural de Quissama é um santuário da vida selvagem, próximo do Cuanza, onde podemos encontrar elefantes, girafas, zebras, gnus, bâmbis, gungas, manatins africanos, palancas vermelhas, macacos, etc. O rio Cuanza com 960 Km de extensão nasce em Mumbwé no planalto central angolano.

 

Rio Kuanza

  1. Bacia Sedimentar de Benguela

A cidade de Benguela é monumental e preserva os traços identitários da colonização portuguesa. O Governo Provincial, o Museu de Arqueologia com o “Sobrado” da Escravidão, o Palácio do Governador, o casario da Praia Morena, a Igreja do Pópulo e o seu jardim com um memorial aos portugueses e obras de arte (Robots), as universidades… são elementos da história comum de Angola e Portugal. A Bacia de Benguela é preenchida por sedimentos do Cretácico Inferior e a praia do Egito é um exemplo de formação sedimentar de origem fluvial (Rio Balombo) e marítima. É semelhante à bacia sedimentar do Kuanza.  A corrente fria de Benguela é importante a nível climático porque impede durante grande parte do ano a condensação da humidade (Mesmo quando há cacimbo nos meses de junho, julho e agosto) que seria importante para gerar chuva.

Salinas na Catumbela (Lobito)

  1. Musseques de Luanda

A cidade de Luanda é constituída por muitos bairros onde fervilham nos estradões milhares de pessoas todos os dias. Apresenta os Bairros Popular, Samba, Cassenda, Iraque, Maianga, Prenda, Chicala, Congo, Alvalade, Massulo, Benfica, Palanca, Madeira, Vila Alice, etc. O Bairro Azul é o mais nobre e situa-se contíguo à Cidade Alta. Os musseques são bairros constituídos essencialmente por cubatas, onde há escassez de água potável, muitas fragilidades infraestruturais ao nível da eletricidade, recolha de lixo, saneamento básico, higiene, etc. Imensas vendedoras de rua (quitandeiras) preenchem os espaços poeirentos, mitigando quanzas (moeda nacional – 1000 KZ - vale cerca de 1 Euro) para a sobrevivência. Luanda é dividida em Cidade Alta (zona nobre) e a Cidade Baixa (A zona de Coqueiros e que se estende até ao porto de mar).

 

  1. Maravilhas Naturais de Angola:

- Fenda da Tundavala - Huíla;

- Morro do Moko - Huambo – o ponto mais elevado de Angola;

- Floresta do Maiombe – Cabinda;

- Quedas de Água de Kalandula - Malanje;

- Gruta do Zenzo (Caverna) - Uíge;

- Rio Chiumbe – Lunda Sul;

- Lagoa Carumbo – Lunda Norte.

  1. Glossário de termos angolanos:

Tempestade = Calema

Autocarro = Machimbombo

Amendoim = Ginguba

Palhota = Cubata

Velho = Cota

O mais novo= Caçula

Piripiri, malagueta = Jindungo

Bairro de Lata = Musseque

Gelado, sorvete = Baleizão

Doença = Camueca

Humidade, Inverno = Cacimbo

Miúda, Rapariga = Mboa

Pequeno-Almoço = Mata-Bicho

Aldeia = Quimbo

Chefe tradicional da Aldeia = Soba

Sarilho = Maka

Planície = Xana

Planalto Central de Angola = Bailundo

Farinha = Fuba

Cara = Chipala

Frutos = Quimbo e Dendém (óleo do dendezeiro)

Unhas de Fome = Cotótó

Pensativo = Banzado

Mandioca descascada = Bombó

Diamantes = Camanga

Português = Caputo, tuga

Vendedora = Quitandeira

Coração, centro da cidade = Muxima